ALCOOLISMO: você não precisa de mais força de vontade

Talvez você já tenha dito: “Eu preciso ser mais forte.”
Talvez alguém tenha dito isso para você: “Tenha força de vontade. Controle-se. É só decidir não beber.”
A frase parece lógica. Se o problema é beber, basta resistir à vontade de beber. Quando a vontade aparecer, você reúne suas forças, fecha os punhos, encara a garrafa e diz não.
Mas, na adicção, essa estratégia costuma falhar miseravelmente.
Não necessariamente porque a pessoa não deseja parar, porque seja fraca, irresponsável ou incapaz de compreender as consequências. Também não porque lhe falte caráter. A estratégia falha porque transforma a sobriedade em uma guerra permanente contra o desejo — e ninguém permanece indefinidamente em estado de guerra sem se esgotar.
A força de vontade tem limite. Ela diminui diante do cansaço, do estresse, da fadiga e dos gatilhos emocionais. Funciona como um músculo convocado repetidamente para sustentar uma resistência.
No início do dia, talvez você consiga dizer não. Depois de horas de trabalho, conflitos, frustrações, fome, ansiedade, cobranças e pensamentos difíceis, esse mesmo não pode se tornar muito mais pesado.
Na adicção, esse esgotamento pode acontecer ainda mais rapidamente. O organismo já se encontra atravessado por alterações relacionadas ao estresse, ao desejo, à recompensa e ao hábito. A pessoa não está apenas tomando uma decisão racional diante de um objeto neutro. Existe uma história inteira acontecendo dentro daquela vontade.
Por isso, talvez a pergunta não seja “Como posso ter mais força de vontade?”, mas “Que outras forças existem em mim?”.
O QUE É VONTADE?
Antes de pensarmos em força de vontade, precisamos separar as palavras. Afinal, o que é vontade?
A vontade é um impulso que surge sem que eu necessariamente o escolha.
Posso estar trabalhando, lendo ou caminhando quando, de repente, aparece em minha mente a imagem de um doce. Até aquele instante, eu não estava pensando nele. Mas a imagem aparece, desperta uma sensação e, em seguida, surge o desejo.
Eu não escolhi aquela primeira imagem. Também não escolhi sentir vontade.
O mesmo pode acontecer com a bebida. Um cheiro, um horário, uma música, uma lembrança, uma pessoa ou uma situação podem despertar o desejo antes que exista qualquer decisão consciente. A vontade simplesmente chega.
Isso importa porque muitas pessoas confundem sentir vontade com decidir agir, mas não são a mesma coisa. Sentir vontade de comer um doce não significa que preciso comprá-lo. Sentir vontade de beber não significa que preciso beber.
A vontade pode nascer sem minha autorização. Contudo, ainda existe um espaço entre aquilo que surge em mim e aquilo que faço com o que surgiu. Talvez seja um espaço pequeno, dure poucos segundos ou, em alguns dias, pareça quase inexistente. Ainda assim, vontade e ação são acontecimentos diferentes.
Eu não sou livre para escolher todos os desejos que aparecem dentro de mim, mas posso construir alguma liberdade na maneira como respondo a eles.
O QUE É FORÇA?
A força é a capacidade de exercer poder, resistir a uma pressão ou realizar uma ação.
Quando sinto vontade de comer um doce e decido não comê-lo, utilizo uma forma de força. Existe um desejo puxando para um lado e uma decisão tentando conduzir para o outro.
A força de vontade pode ser compreendida, então, como a capacidade racional de resistir a um desejo. Ela é importante. O problema começa quando esperamos que ela faça todo o trabalho.
Uma coisa é utilizar a força de vontade em determinado momento. Outra é organizar a vida inteira como uma sucessão de confrontos: não beber de manhã, no almoço ou quando chega a tarde; não beber quando alguém oferece, quando está triste ou feliz, sozinho ou acompanhado; não beber para dormir, comemorar ou esquecer.
Quando toda a atenção está concentrada em resistir, o álcool continua no centro. De um lado, está a bebida; do outro, você tentando não beber. Mas os dois continuam se olhando.
A garrafa permanece como protagonista, mesmo quando não é aberta.
A vida passa a ser organizada pela vigilância: contar horas, evitar pensamentos, medir desejos, avaliar riscos e tentar descobrir se ainda existe força suficiente para chegar ao final do dia. É possível atravessar alguns momentos assim, mas é exaustivo transformar todos os dias em uma prova de resistência.
A FORÇA DE VONTADE NÃO É UMA FONTE INFINITA
A força de vontade falha porque se esgota.
Ela se enfraquece quando estamos cansados, estressados, frustrados ou emocionalmente sobrecarregados. E a vida não interrompe seus conflitos apenas porque uma pessoa decidiu parar de beber.
Os boletos continuam chegando, as relações continuam exigindo e o corpo ainda sente fome. O sono nem sempre vem, as lembranças não desaparecem, e a ansiedade não pergunta se aquele é um bom momento. A tristeza também não.
A pessoa pode começar o dia decidida a não beber e chegar à noite emocionalmente atravessada por tudo aquilo que precisou suportar. Então surge a vontade.
Nesse momento, ela tenta utilizar a mesma força que já foi empregada para trabalhar, tomar decisões, controlar impulsos, responder mensagens, lidar com pessoas, conter emoções e cumprir responsabilidades. Mas o reservatório já está baixo.
Quando bebe, interpreta o episódio como uma prova de fraqueza: “Eu não consegui. Eu não tive força. Eu estraguei tudo outra vez.”
Assim, além de enfrentar a adicção, passa a enfrentar a culpa por não ter vencido uma batalha que talvez tenha sido organizada de maneira impossível.
A questão não é abandonar toda forma de autocontrole, mas parar de depositar nele toda a possibilidade de sobriedade.
EXISTEM OUTRAS FORÇAS
Existem forças que não funcionam apenas como resistência e não aparecem somente quando precisamos dizer não. São forças que participam daquilo que somos, da maneira como agimos, das escolhas que realizamos e do sentido que construímos.
A Psicologia Positiva chama algumas delas de forças de caráter.
As forças de caráter são traços positivos da personalidade. Elas podem ser compreendidas como caminhos pelos quais nossas virtudes se manifestam na vida concreta, porque uma virtude que nunca se transforma em ação permanece apenas como possibilidade.
Posso dizer que valorizo a generosidade, mas ela somente se torna concreta quando ofereço algo a alguém. Posso dizer que tenho coragem, mas a coragem se manifesta quando ajo apesar do medo. Posso reconhecer a importância da gratidão, mas ela ganha forma quando agradeço, reconheço, registro ou retribuo.
A força de caráter não é uma palavra bonita colocada sobre a personalidade. É uma disposição transformada em gesto.
De acordo com a classificação utilizada pela Psicologia Positiva, existem seis grandes virtudes: sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperança e transcendência. Dentro delas, estão agrupadas 24 forças de caráter.
Na sabedoria, encontramos criatividade, curiosidade, mente aberta, amor pelo aprendizado e perspectiva. Na coragem, estão honestidade, bravura, perseverança e entusiasmo. Na humanidade, encontramos generosidade, amor e inteligência social. Na justiça, estão imparcialidade, liderança e trabalho em equipe. Na temperança, encontramos perdão, humildade, prudência e autocontrole. Na transcendência, estão apreciação da beleza, gratidão, esperança, humor e espiritualidade.
Todas as pessoas possuem essas forças, mas não as utilizam da mesma maneira.
AS FORÇAS QUE CARREGAM NOSSA ASSINATURA
Algumas forças aparecem de forma mais acentuada em cada pessoa. Elas são chamadas de forças de assinatura porque parecem carregar nossa marca.
Quando as utilizamos, sentimos que existe coerência entre quem somos e aquilo que estamos fazendo. Elas não parecem fantasias vestidas para agradar alguém, nem exigem que interpretemos um personagem. Elas nos aproximam de nossa autenticidade.
A sabedoria, por exemplo, é minha principal virtude. Entre minhas forças de assinatura estão criatividade, curiosidade, amor pelo aprendizado e perspectiva. Quatro das minhas cinco forças principais pertencem à sabedoria. A outra é a bravura, que pertence à coragem.
Quando estudo, leio, escrevo, faço um novo curso ou investigo um tema, não estou apenas ocupando o tempo. Estou utilizando forças que fazem parte de mim, e isso produz energia.
Não aquela energia agitada da euforia, mas a sensação de que minha existência está sendo conduzida em uma direção coerente.
Quando utilizo a criatividade para escrever, desenhar, pintar, organizar meu bullet journal ou fazer recortes, sinto prazer. Não porque essas atividades eliminem todos os problemas, mas porque elas me devolvem a alguma coisa que reconheço como minha.
Isso é importante na adicção porque, durante muito tempo, a substância ou o comportamento pode ocupar o lugar do prazer, da recompensa, do alívio e até da identidade.
A pessoa deixa de perguntar: “O que me interessa? O que me desperta? O que faço bem? Em que momentos me sinto viva?”. Em vez disso, passa a perguntar: “Quando vou beber? Quanto ainda tenho? Como vou conseguir? Como vou esconder? Como vou parar?”.
A adicção empobrece o campo da atenção. Tudo começa a apontar para o mesmo lugar.
Reconhecer as forças de assinatura ajuda a ampliar novamente esse campo. Não se trata apenas de descobrir qualidades, mas de descobrir caminhos.
NÃO É PRECISO SER BOM EM TUDO
Conhecer as forças de caráter não significa que você precisa desenvolver todas elas com a mesma intensidade.
Eu, por exemplo, não utilizo muito o humor. Tenho humor, como todas as pessoas possuem essa força em alguma medida, mas ele não aparece entre minhas principais características. Às vezes, meu humor é um pouco sarcástico, e tudo bem.
A proposta não é transformar cada pessoa em uma coleção equilibrada de virtudes perfeitas.
Você não precisa ser extremamente criativo, corajoso, engraçado, prudente, espiritual, generoso, curioso e perseverante ao mesmo tempo. Não se trata de fabricar uma personalidade ideal, mas de reconhecer aquilo que já existe e pode ser utilizado com mais consciência.
Em vez de passar a vida tentando corrigir tudo o que aparece no final da lista, podemos também fortalecer aquilo que já oferece energia, autenticidade e sentido.
A adicção costuma colocar a pessoa em contato permanente com suas vulnerabilidades: aquilo em que falhou, aquilo que perdeu, o que prometeu e não cumpriu, o que fez enquanto bebia e o que gostaria de apagar.
Olhar para as forças não apaga essa história, mas muda o ponto a partir do qual a pessoa começa a se reconstruir.
SEIS FORÇAS PARA LIDAR COM A ADICÇÃO
Existem duas formas de utilizar as forças de caráter na superação da adicção.
A primeira é identificar suas forças de assinatura e construir uma vida na qual elas possam ser utilizadas. A segunda é desenvolver algumas forças que podem contribuir diretamente para esse processo.
Entre elas, destaco esperança, perseverança, gratidão e amor, espiritualidade, autocontrole e criatividade.
Mas essas palavras, sozinhas, não fazem nada. A esperança escrita em uma folha continua sendo apenas uma palavra. A perseverança repetida diante do espelho não sustenta uma mudança. A gratidão transformada em obrigação pode se tornar mais uma cobrança. A espiritualidade sem prática permanece uma ideia distante. O autocontrole sem ação não protege ninguém, e a criatividade não existe apenas porque uma pessoa afirma ser criativa.
As forças precisam ganhar corpo.
ESPERANÇA PRECISA DE FUTURO
A esperança é a capacidade de reconhecer que a vida pode assumir outra forma. Na adicção, isso não é pouco.
Quando a repetição se torna longa, a pessoa pode começar a acreditar que nada mudará. Ela olha para o passado, encontra promessas quebradas, tentativas frustradas e recaídas, e utiliza tudo isso como previsão do futuro: “Eu sempre volto. Eu nunca consigo. Minha vida será assim.”
A esperança interrompe essa conclusão. Não porque garanta que tudo será fácil, mas porque impede que o passado seja tratado como uma sentença.
Colocar a esperança em prática pode significar imaginar uma manhã sem ressaca, organizar uma atividade para o dia seguinte, retomar um projeto abandonado ou permitir-se pensar em uma vida que não tenha o álcool como centro.
Esperança é começar a construir alguma coisa que ainda não existe.
Pode responder fortalecendo aquilo que existe em você para além da adicção.
PERSEVERANÇA NÃO É PERFEIÇÃO
A perseverança é continuar. Não significa realizar tudo corretamente, nunca se cansar ou atravessar a vida sem dúvidas. Também não significa insistir na mesma estratégia depois que ela já demonstrou não funcionar.
Perseverar pode significar recomeçar de outra maneira.
A pessoa que retorna ao mesmo método e espera um resultado diferente talvez não esteja perseverando. Talvez esteja apenas repetindo.
Na adicção, perseverança é sustentar uma direção mesmo quando o caminho precisa ser revisto. É continuar construindo sem transformar um dia difícil na destruição de todo o percurso e sem permitir que uma falha assuma o direito de definir a história inteira.
GRATIDÃO E AMOR PRECISAM DE GESTO
Gratidão e amor não existem apenas como sentimentos internos. Eles se manifestam na ação.
A gratidão pode ser escrita ou dita. Pode aparecer quando reconhecemos aquilo que ainda permanece, mesmo depois de tantas perdas.
O amor também pode ser praticado: telefonar para alguém, preparar uma refeição, cuidar de uma planta, ouvir uma pessoa, permitir-se receber cuidado, cumprir uma pequena promessa ou estabelecer um limite.
A adicção pode produzir isolamento. Aos poucos, a relação com a substância se torna mais previsível do que a relação com as pessoas.
A bebida não pergunta, não confronta, não exige diálogo nem espera reciprocidade. Mas também não ama.
A força do amor devolve a pessoa ao campo das relações, no qual existem afeto, presença, responsabilidade e troca.
ESPIRITUALIDADE OFERECE ALGO MAIOR QUE O PRAZER IMEDIATO
A espiritualidade pode oferecer um sentido maior do que o prazer imediato.
Para quem tem uma religião, ela pode ser fortalecida pela oração, pelas celebrações, pelos rituais, pela comunidade e pelas práticas religiosas. Mas a espiritualidade não se limita à religião.
Ela também pode ser cultivada por meio da meditação, da leitura, da reflexão, da observação da natureza, da música ou de filmes que despertem uma sensação de conexão.
Espiritualidade é perceber que a vida não precisa terminar na urgência do desejo presente. Existe alguma coisa além deste minuto, desta vontade, deste desconforto e deste impulso que parece ocupar tudo.
Quando o prazer imediato se torna a única referência, qualquer sofrimento parece insuportável.
A espiritualidade amplia o tempo. Ela nos lembra de que uma existência não é construída apenas com aquilo que alivia agora.
AUTOCONTROLE É CONSTRUÍDO NA AÇÃO
O autocontrole também pode ser fortalecido, mas não apenas diante da garrafa. Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes.
Você pode exercitar o autocontrole em situações menores, antes de precisar convocá-lo diante do desejo mais difícil. Pode organizar horários, adiar uma resposta impulsiva, cumprir uma pequena decisão, interromper um comportamento automático ou observar uma vontade sem atendê-la imediatamente.
Cada uma dessas ações constrói um pouco mais de espaço entre o impulso e a resposta.
O autocontrole deixa de ser uma grande prova realizada no limite e passa a ser uma força praticada no cotidiano.
CRIATIVIDADE É PRODUZIR OUTRA POSSIBILIDADE
A criatividade não serve apenas para pintar quadros, escrever livros ou realizar atividades consideradas artísticas.
Criatividade é produzir alternativas. É olhar para uma situação conhecida e imaginar outra resposta.
Se todos os caminhos do final do dia levam à bebida, a criatividade pergunta: “Que outro percurso posso construir?”. Se o prazer ficou restrito ao consumo, ela pergunta: “O que mais pode despertar meu interesse?”. Se a rotina se tornou vazia, ela pergunta: “O que posso criar dentro deste espaço?”.
A adicção é repetitiva. Ela repete o desejo, o gesto, a justificativa, o alívio e a consequência.
A criatividade interrompe essa repetição porque introduz alguma coisa que não estava prevista. Pode ser escrever, desenhar, pintar, fazer recortes, cozinhar, fotografar, reorganizar um espaço, criar um projeto ou inventar uma maneira diferente de atravessar o horário em que o desejo costuma aparecer.
Criatividade é a força que olha para uma porta fechada e começa a procurar uma janela.
AS FORÇAS CRESCEM QUANDO SÃO UTILIZADAS
A força de vontade pode se esgotar quando é utilizada excessivamente. As forças de caráter funcionam de outra maneira.
Quanto mais utilizo minha criatividade, mais criativa me torno. Quanto mais pratico a gratidão, mais desenvolvo a capacidade de reconhecer aquilo que merece ser valorizado. Quanto mais ajo com bravura, mais aprendo a atravessar situações apesar do medo. Quanto mais exercito a esperança, mais consigo imaginar caminhos.
A força de caráter se fortalece na prática. Não porque o uso torne tudo fácil, mas porque a ação cria repertório.
A pessoa começa a descobrir que não é apenas alguém tentando não beber. É alguém que escreve, aprende, cria, ama, agradece, persiste, contempla, lidera, cuida, pensa, escolhe e constrói.
O álcool deixa de ser a única coisa em torno da qual a identidade se organiza.
NÃO É LUTAR CONTRA O VÍCIO O TEMPO INTEIRO
Superar a adicção não precisa significar entrar em combate direto com ela durante todos os minutos do dia. Quando toda a vida se transforma em luta contra o vício, o vício continua determinando o tema da existência.
Você acorda pensando em não beber, passa o dia tentando não beber e chega à noite agradecendo por não ter bebido. Mesmo ausente, o álcool permanece no centro.
As forças de caráter ajudam a deslocar esse eixo.
Em vez de concentrar toda a energia na vulnerabilidade, você começa a investir também em suas potencialidades. Não apenas naquilo que deseja impedir, mas naquilo que deseja realizar. Não apenas na bebida que precisa ser recusada, mas na vida que precisa ser construída.
Você não precisa passar o restante da existência em uma disputa de braço com a adicção.
Pode fortalecer sua criatividade, praticar a gratidão, agir com bravura, cultivar a esperança, exercitar o autocontrole e desenvolver a espiritualidade. Pode utilizar aquilo que existe de mais autêntico em você para produzir uma vida na qual o prazer, o sentido e a realização não dependam de uma substância.
SOBRIEDADE NÃO É APENAS RESISTÊNCIA
Conhecer e cultivar as forças de caráter é abrir espaço para uma vida sóbria com sentido, porque superar a adicção não é apenas resistir ao vício. É criar uma nova forma de existir.
A força de vontade pergunta: “Até quando consigo aguentar?”. As forças de caráter perguntam: “O que posso construir?”.
A força de vontade olha para a garrafa e tenta não a tocar. As forças de caráter olham para a vida e procuram maneiras de habitá-la. Uma depende da resistência; as outras se alimentam da ação.
Talvez você não precise provar que é mais forte do que a adicção. Talvez precise parar de organizar sua vida em torno dessa disputa.
O vício pode continuar tentando chamar sua atenção, mas você não precisa responder a ele com uma guerra. Pode responder com criatividade, esperança, perseverança, amor, gratidão, espiritualidade e autocontrole.
Porque a reconstrução não acontece apenas quando você consegue dizer não ao vício. Ela também acontece quando começa a dizer sim para a vida a qual deseja viver.
Rafa Pessato


